Subjugado pela ignorância bestial e pelo poder hipócrita e fugaz das armas do homem, a dor brota por cada poro de sua dilacerada pasta de carne esmagada e ossos estraçalhados a chicotadas, socos e pontapés, matéria que antes intacta, estruturava seu corpo semelhante ao nosso.
Minh´alma não sabe se escolhe a piedade, o desespero ou a vergonha ao testemunhar
este momento para o qual toda a história da humanidade converge.
Uma vontade somente,e tudo o que conhecemos e desconhecemos e todos que foram
concebidos cessariam já, e junto, sua inigualável dor.
E no entanto, é o encanto e deslumbramento, o amor, "Pai, perdoa-os, eles não sabem
o que fazem".
No encontro daquelas toras irregulares de madeira que Lhe servem de instrumento de
prolongamento da tortura em cooperação e perfeita sintonia com pregos pontiagudos enferrujados, que lhe rasgam lentamente mãos e pés em carne viva, em carne moída,
está o divisor de águas da saga da desorientada criatura humana, rastejante e
hesitante, que éramos até agora.
Agora compreendo em estado de graça e contemplação.
Uma luz incandescente me cega momentaneamente os olhos e
enxergo como nunca antes na vida de qualquer homem.
Diante de mim, uma profusão do belo infinito limitado pelo que suporto captar.
Ele,
que sabe mais que qualquer um ou a soma de todos jamais saberão, faz-se verdade e em
nós a faz.
E a verdade é boa.
Somos perdoáveis, podemos ser amados.
Podemos nos perdoar e nos amar.
Podemos perdoar-nos e amarmos uns aos outros.
O que já se fez por meio de nossa própria ação ou omissão, por mais vexatório ou
degradante, já não é mais.
Boas são as novas. A vida é nova. Enxuguem-se as lágrimas.
Temos uma nova chance de fazermos um novo final.
É paz na Terra.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Castas - Parte 1.
O velho místico retorna após uma crise de catalepsia, volta para a aldeia e reúne a multidão na praça central em frente a Matriz. Aos corações cheios de medo e admiração pela sua ressurreição, afirma ter retornado da morte, que lá onde esteve aprendeu muito, traz novidades e prega a todos.
Não trago boas notícias. Não somos todos iguais. A ordem natural é hierárquica. Quem nasce para coadjuvante, jamais chega a protagonista.
E não é só isso. Não existe uma escolha baseada em critérios para decidir quem vai passar as férias na Europa e quem vai perder tudo o que tem nas enchentes.
Não, é tudo aleatório. Não há uma seleção baseada em mérito. Nem agora e nem depois. A vida é uma competição em que vence o mais forte ou o mais esperto. E todos tem que contar com a sorte totalmente aleatória. E mais cedo ou mais tarde, todos chegam a derrota final. Todos. Portanto, se você optar por ser bom e fazer o bem, faça-o porque te faz feliz. Não espere alguma lei de retorno ou por uma recompensa baseada em merecimento. Se optar em ser mau, os limites que lhe serão impostos são os de sua própria natureza e o da eficácia ou ineficácia das leis e regras humanas. A justiça é humana e falha com a do árbitro de futebol.
Quem nasce melhor, tende a viver melhor. As exceções são raras e confirmam a regra. A vida é competição em forma de pirâmide ou de funil. Muitos lutam, poucos vencem. E no fim, todos perdem.
A verdade do que venho dizer é gritada aos seus ouvidos todo o tempo. Mas é comum que quem tem ouvidos prefira não ouvir. Merecem a miséria os miseráveis? Crianças desnutridas fizeram por merecer tamanho sofrimento? Doentes procuraram suas doenças? E do outro lado, os bem aventurados são abençoados pela sua bondade? São ricos e saudáveis aqueles que se comportaram bem?
E que história é essa de que o sofrimento traz o aprendizado? Sofrimento, meus caros, traz apenas dor. Se houvessem seres superiores, eles seriam um tanto quanto sádicos, não acham?
(continua)
Não trago boas notícias. Não somos todos iguais. A ordem natural é hierárquica. Quem nasce para coadjuvante, jamais chega a protagonista.
E não é só isso. Não existe uma escolha baseada em critérios para decidir quem vai passar as férias na Europa e quem vai perder tudo o que tem nas enchentes.
Não, é tudo aleatório. Não há uma seleção baseada em mérito. Nem agora e nem depois. A vida é uma competição em que vence o mais forte ou o mais esperto. E todos tem que contar com a sorte totalmente aleatória. E mais cedo ou mais tarde, todos chegam a derrota final. Todos. Portanto, se você optar por ser bom e fazer o bem, faça-o porque te faz feliz. Não espere alguma lei de retorno ou por uma recompensa baseada em merecimento. Se optar em ser mau, os limites que lhe serão impostos são os de sua própria natureza e o da eficácia ou ineficácia das leis e regras humanas. A justiça é humana e falha com a do árbitro de futebol.
Quem nasce melhor, tende a viver melhor. As exceções são raras e confirmam a regra. A vida é competição em forma de pirâmide ou de funil. Muitos lutam, poucos vencem. E no fim, todos perdem.
A verdade do que venho dizer é gritada aos seus ouvidos todo o tempo. Mas é comum que quem tem ouvidos prefira não ouvir. Merecem a miséria os miseráveis? Crianças desnutridas fizeram por merecer tamanho sofrimento? Doentes procuraram suas doenças? E do outro lado, os bem aventurados são abençoados pela sua bondade? São ricos e saudáveis aqueles que se comportaram bem?
E que história é essa de que o sofrimento traz o aprendizado? Sofrimento, meus caros, traz apenas dor. Se houvessem seres superiores, eles seriam um tanto quanto sádicos, não acham?
(continua)
domingo, 27 de junho de 2010
Tresloucado
Os pensamentos independentes são os senhores de minha loucura e me encarceraram dentro do limbo de minha alma impura...
Fizeram um cinturão em torno da minha razão e controlam e censuram tudo o que chega até ela, atitude e mazela...
Criam uma versão com aversão da realidade e me diminuo dentro de minha própria cavidade...
Simulam e dissimulam o que me dizem e enxergo inimigo como amigo e amigo nem consigo...
Aprisionado ao meu universo, sou frente e verso e avesso, nunca chego ao fim e sempre retorno ao começo e entorno o caldo divagando sobre o que mereço...
Vivo em universo paralelo, confundo o feio com o belo, outra dimensão, opaca confusão, perdido em um labirinto um inconsciente inconsistente do que sinto, sóbrio embriagado por absinto, sempre muito sinto, sem perceber, ao dizer minha verdade, vergo a noção de moralidade e de imoralidade e minto.
Pseudo-pensamentos, discuto com fantasmas, revido no ar bofetadas... ...ah, tantas jornadas mal acabadas...
Fizeram um cinturão em torno da minha razão e controlam e censuram tudo o que chega até ela, atitude e mazela...
Criam uma versão com aversão da realidade e me diminuo dentro de minha própria cavidade...
Simulam e dissimulam o que me dizem e enxergo inimigo como amigo e amigo nem consigo...
Aprisionado ao meu universo, sou frente e verso e avesso, nunca chego ao fim e sempre retorno ao começo e entorno o caldo divagando sobre o que mereço...
Vivo em universo paralelo, confundo o feio com o belo, outra dimensão, opaca confusão, perdido em um labirinto um inconsciente inconsistente do que sinto, sóbrio embriagado por absinto, sempre muito sinto, sem perceber, ao dizer minha verdade, vergo a noção de moralidade e de imoralidade e minto.
Pseudo-pensamentos, discuto com fantasmas, revido no ar bofetadas... ...ah, tantas jornadas mal acabadas...
terça-feira, 1 de junho de 2010
7 - Toque
Deu-lhe um beijo apertado e tranqüilo que transmitia êxtase e segurança e conseguia ainda dissimular a vontade represada por toda uma vida, a necessidade íntima e sincera de trazer para o real os seus anos exageradamente prolongados de orgias em solidão. Sentia seus lábios carnudos, sua pele clara salpicada aqui e acolá com pintinhas que mesclavam cores nos lugares exatos, como se pinceladas por um pintor renascentista, nem um milímetro mais para lá ou para cá além do lugar exato em que deveriam morar e ornar e instigar e magnetizar e hipnotizar os olhares incautos dos homens. Era tudo planejado e executado para contemplação.Como se todo esse conjunto onde o poeta já definiu que nada falta ou sobra não fosse o suficiente para lhe prender à teia, ainda lhe brilhavam na face exuberantemente feminina duas pedras preciosas que ao capricho de cada matiz que escapava ao prisma da luz, apresentava-se do azul celeste, metamorfoseando ora em cinza azulado, ora em verde esmeralda e sempre com um detalhe a mais a zombar do imperfeito, como era o caso de uma auréola dourada envolvendo cada uma das meninas de seus olhos. Era isso! Estava diante dele e ao seu alcance a menina de seus olhos, de sua mente e de sua alma. O corpo dela era dotado de uma geografia delicadamente feminina com curvas, vales, montes e armadilhas naturais de mulher, mas sem que tivesse que provocar movimentos bruscos no aventureiro que estava realizando sua exploração épica. Eram linhas de pureza e suavidade. Um tom mais pronunciado, picante, era enunciado somente pelos seus luxuriosos lábios, que mais uma vez saboreava e onde se entregava incondicional, e pelas levemente salientes macias maçãs a compor-lhe a face saborosamente feminina. No mais, traçados delicados que compunham formas harmonicamente proporcionais exaltando seu gênero feminino. Alisou-lhe os cabelos da raiz até as pontas em meio a suas costas e esse movimento foi acompanhado pelo vestido dela, que lhe escorregou pela outra metade do corpo até acondicionar-se ao tapete e conformar-se com a condição da inutilidade que iria experimentar pelos momentos seguintes.Sua mão esquerda, ele não sabia como, pois era conduzida por um poder advindo de seu inconsciente, de um id mal domado por um ego por muito tempo castigado, deslizava com facilidade ao longo daquela pele lisa e macia e estimulava o desejo de ambos. No sinuoso passeio seguinte desatou-lhe o feche eclair, e ansiosamente continuou a dar fluência à sua jornada inebriante. Seu corpo começou um balé discreto, que conduziu a peça agora solta, corpo abaixo, ao capricho da gravidade.Mais uma viagem e seus dedos, mais abaixo, encontraram-se com a renda, último detalhe de tecido que ainda envolvia a pele dela. Fez uma leve pressão e a peça deslizou um pouco e parou temperamentalmente alguns centímetros depois. Mas os dedos mostraram domínio e uma sequência de comandos seguros, porém ternos, e lhe ensinaram o caminho até o tapete felpudo e quente que revestia o chão. Deu a ela alguns centímetros de distância, que só foi alguns segundos depois vencida pelos lábios de ambos numa prazerosa troca de sensações que evoluía e mesclava-se com o gosto da liberdade que experimentava, enquanto, simultaneamente, ofegantemente, livrava-se de sua própria roupa.
terça-feira, 25 de maio de 2010
6 - Vampiros
Noturnas e soturnas, nuvens escuras pairam no ar rarefeito, raro o efeito: baixas, ameaçadoras criaturas volumosas, ansiosas e opressoras. Não permitem nem vestígio de luar, nem faísca de luz estelar. Nos postes e nas casas distantes não se vê um único alento neste tormento temporal atemporal. Nem, se quer uma, somente uma lâmpada acesa para revelar a presa, nem mesmo uma única amarela pálida, capenga, inválida: o breu é absoluto e resoluto, o habitat é propício para o medo, e de suas tocas observam e se esgueiram pronto para o bote, com sangue no olhar, o pavor e o suplício, e a única rota de fuga que resta e o fio de sanidade que nos testa é o portal do hospício.
Ouvem-se os pensamentos rancorosos, tamanho o silêncio, e se sente no frio gélido que traz dor às extremidades do corpo e mergulha a alma em sessões tiranas torturantes, sádicas e insanas, a presença sufocante do mal puro se aproximando, e mal se respira um ar escasso e ainda poluído, fétido, cortante, desconfortável, doído, penalizado... Algumas pessoas semi-viventes vivem nesta paisagem desolada e trazem esse ambiente angustiante consigo e nos envolvem e revolvem em orgia nosso eu e trazem aquele breu noite e dia, sugando e solvendo toda nossa energia...
Farsas disfarçadas, sorrisos dissimulados, intenções camufladas, são simpáticas e charmosas, empáticas e amorosas, e ainda sim nos perturbam a mente, nossa ancestral vivência revelada e aflorada em instinto de sobrevivência, sugam-nos a vitalidade aos poucos, gradativamente, e revelam-se loucos somente segundos antes do ataque derradeiro...
Mas a vida sempre encontra um meio, sempre preserva um veio, sempre reserva uma saída, na volta ou na ida, e guarda transformações profundas para essas almas moribundas. Ao aproximarem-se, perto demais, de fontes de luz intensa e densa, recebem a sentença e sofrem a conseqüência e são repelidos como diabo da cruz, desde tempos indos, ou então, ao desespero se entregam e se desintegram todos os seus ardiz maléficos, sobrando desta parte delas, apenas restos morféticos, ou se dá ainda, a metamorfose suprema, nada tema: ao enxergarem o brilho imenso, reavaliam o bom senso, e uma faísca acende o estopim, e mesmo que tênue, passa a se notar, derradeiro fim, um ínfimo mas consistente brilho próprio brotar para quem souber olhar no peito de quem para a vida teima em retornar.
Ouvem-se os pensamentos rancorosos, tamanho o silêncio, e se sente no frio gélido que traz dor às extremidades do corpo e mergulha a alma em sessões tiranas torturantes, sádicas e insanas, a presença sufocante do mal puro se aproximando, e mal se respira um ar escasso e ainda poluído, fétido, cortante, desconfortável, doído, penalizado... Algumas pessoas semi-viventes vivem nesta paisagem desolada e trazem esse ambiente angustiante consigo e nos envolvem e revolvem em orgia nosso eu e trazem aquele breu noite e dia, sugando e solvendo toda nossa energia...
Farsas disfarçadas, sorrisos dissimulados, intenções camufladas, são simpáticas e charmosas, empáticas e amorosas, e ainda sim nos perturbam a mente, nossa ancestral vivência revelada e aflorada em instinto de sobrevivência, sugam-nos a vitalidade aos poucos, gradativamente, e revelam-se loucos somente segundos antes do ataque derradeiro...
Mas a vida sempre encontra um meio, sempre preserva um veio, sempre reserva uma saída, na volta ou na ida, e guarda transformações profundas para essas almas moribundas. Ao aproximarem-se, perto demais, de fontes de luz intensa e densa, recebem a sentença e sofrem a conseqüência e são repelidos como diabo da cruz, desde tempos indos, ou então, ao desespero se entregam e se desintegram todos os seus ardiz maléficos, sobrando desta parte delas, apenas restos morféticos, ou se dá ainda, a metamorfose suprema, nada tema: ao enxergarem o brilho imenso, reavaliam o bom senso, e uma faísca acende o estopim, e mesmo que tênue, passa a se notar, derradeiro fim, um ínfimo mas consistente brilho próprio brotar para quem souber olhar no peito de quem para a vida teima em retornar.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
5 - Irresistível
Ferve em minhas veias e vias um turbilhão de emoções côncavas e convexas, conexas e desconexas. Explodem em minha alma bombas atômicas e tônicas de vontade insaciável de experimentar, de produzir, de sentir pleno o existir. A juventude é viril e plena em cada cena que me traduz, em cada palavra que se faz reluzir. Sou homem, lobisomem, super-homem, quero, faminto, devorar cada migalha do que está por vir!
Não tentem me impedir! Não seria justo o contraposto do que estou disposto. Não seria divino calar este hino. Deslocado e tresloucado seria por fim a esta vontade de ir, de partir, de seguir, de existir!
Permitam que a água desça a montanha, que se aproveite essa vontade tamanha de superar toda a façanha.
Abro minhas asas, foco um caminho, mas não vou sozinho. Venha comigo, me faça seu amigo, é nossa a vitória neste embate, vamos juntos combater o bom combate!
Sobrevoaremos o universo, contarão nossa história em prosa e verso, conquistaremos terras e mares, visitaremos eras e ajoelharemos em altares, fincaremos pés em toda memória, viveremos nossos dias de glória!
Criaremos prosperidade, venceremos a idade, flertaremos com a maldade e destilaremos felicidade!
Agora e sempre, por toda a eternidade!
Não tentem me impedir! Não seria justo o contraposto do que estou disposto. Não seria divino calar este hino. Deslocado e tresloucado seria por fim a esta vontade de ir, de partir, de seguir, de existir!
Permitam que a água desça a montanha, que se aproveite essa vontade tamanha de superar toda a façanha.
Abro minhas asas, foco um caminho, mas não vou sozinho. Venha comigo, me faça seu amigo, é nossa a vitória neste embate, vamos juntos combater o bom combate!
Sobrevoaremos o universo, contarão nossa história em prosa e verso, conquistaremos terras e mares, visitaremos eras e ajoelharemos em altares, fincaremos pés em toda memória, viveremos nossos dias de glória!
Criaremos prosperidade, venceremos a idade, flertaremos com a maldade e destilaremos felicidade!
Agora e sempre, por toda a eternidade!
domingo, 16 de maio de 2010
Essência
Há dias em que parece que arrancam violentamente todo o fino e frágil véu de ilusão que mal cobre a realidade em que vivemos. E os nossos olhos, como os de um vampiro com a boca ressecada, tamanha a sede de sangue inocente, enxergam como raramente acontece... A vida alcança outra dimensão e mostra sua impiedade e sua natureza inóspita. Todos os olhares tristes, todas as palavras ditas - malditas - e caladas na ânsia de pronunciar verbos belos a alguém, gestos insensatos, as promessas esquecidas, objetivos abandonados, o tempo desperdiçado, tudo isso e muito mais enfeia nossa alma como verrugas grandes e negras invadindo toda a nossa pele por todo o corpo. Nos tornamos nossos próprios algozes e implacáveis juízes de tudo o que fizemos e deixamos de fazer. Corre por nossas veias o ácido de nossa própria impiedade voltando-se contra nós mesmos, trazendo dor intensa que nos dilacera e nos prostra de joelhos sobre pedras pontiagudas. E nos parece justo essa agonia enlouquecedora, quando não demasiadamente generosa.Mas ai vem um não sei o quê de nosso mais profundo eu, de algum lugar onde reside e persiste o âmago de nossa dignidade e essência humana - intocada desde antes de existirmos gente e que depois que nos metamorfesarmos pó ainda persistirá incólume -, lembrando que deixamos pegadas somente pelos caminhos que nossos olhos enxergavam, e se não acertamos a direção, mesmo assim conhecemos lugares, e se odiamos e ignoramos pessoas, também experimentamos amores e paixões, conhecemos novos sabores, e se machucamos e fomos machucados, e tão equivocadamente senhores de nossos destinos, e certamente desorientados, também fizemos feliz e sorrimos, e então,
foda-se,
tudo valeu a pena, cada lágrima escorrida, cada topada em cada pedra, cada escorregão, cada se não, tudo, tudo pela intensidade de se sentir plena a vida e gozar cada sensação que nos faz humanos!
foda-se,
tudo valeu a pena, cada lágrima escorrida, cada topada em cada pedra, cada escorregão, cada se não, tudo, tudo pela intensidade de se sentir plena a vida e gozar cada sensação que nos faz humanos!
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